terça-feira, 16 de março de 2010

Composição Corporal

Hoje vou comprar uma nova balança de Bioimpedância. Por esse motivo, lembrei-me de voltar a escrever sobre o assunto...
É algo que hoje quase todos conhecemos, não há ginásio que não tenha e muitos vivem obcecados (literalmente) com a sua composição corporal e com a sua evolução quase semanal...para não dizer diária...
 No entanto, muito na nossa saúde depende da nossa composição corporal e não apenas a quantidade de de gordura que se vê.

Quando pensamos em qualidade de vida e  despenho motor de um indivíduo, uma indicação do estado de saúde é a Composição Corporal (CC). Esta avaliação tem auxiliado no diagnóstico e mesmo na elaboração de intervenções nutricionais, bem como em programas de actividades físicas. Estabelecer um Método de Avaliação da Composição Corporal constitui um mecanismo importante para que haja um controle e um balanceamento entre alimentação e actividade física.


Embora a obesidade não se estabeleça pelo simples aumento da massa corporal, mas também pela acentuada deposição de gordura no organismo de maneira generalizado ou localizada, a Organização Mundial de Saúde (OMS) define o quadro clínico característico da obesidade como sendo um Índice de Massa Corporal (IMC) igual ao peso (kg) dividido pela altura (m²) acima de 30 Kg/m². Para a mensuração da Composição Corporal existem vários outros métodos, tais como a razão cintura/quadril (RCQ), pelas dobras cutâneas, e também pela utilização de sofisticados aparelhos que utilizam processos físico-químicos, ou se imagens como a Ultra-sonografia, a Ressonância Magnética, a tomografia, e mesmo a densitometria.

O aumento de casos de obesidade mundial está a aumentar devido a uma redução na energia utilizada no dia a dia. Além dessa redução de actividade física, para a grande maioria da população, não houve compensação na actividade física realizada durante o lazer.

Preocupada com essas tendências, a Associação Americana de Diabetes publicou em Outubro de 2003 a nova definição para glicémia em jejum alterada (Impaired Fasting Glucose), ou seja, um estágio conhecido como “pré-diabetes”. O valor de glicose no sangue baixou de 110mg/dl para 100mg/dl.
Perante desse quadro, e por razões económicas, enfocar as mensurações antropométricas como uma opção científica e válida para os meios académicos, constitui uma forma prática e fácil de avaliar a Composição Corporal e mostrar que a constante monitorização desses valores pode evitar um aumento dos índices de morbilidade e mortalidade, relacionado com sobrepeso e com obesidade.

Referências
BOUCHARD, C.; BLAIR, S.N. Introductory coments for the consensus on physical activity. Medicine & Science in Sports & Exercise. 31 (11 – Supplement): S498-S501, 1999.
CESAR, C. Alguns aspectos básicos para uma proposta de taxionomia no estudo da composição corporal, com pressupostos em cineantropometria. Rev. Bras. Med. Esporte. 6 (5): 1-6, 2000.
DÂMASO, A.; et al. Etiologia da Obesidade. Rio de Janeiro: Medsi, 2003.
GUEDES, D.P. Composição Corporal: Princípios Técnicas e Aplicações. 2.ed. Londrina: APEF, 1994.
GUEDES, D.P.; GUEDES, J.E.P. Controle do Peso Corporal. Londrina:Mediograf, 1998.
ROBERGS, R.A.; ROBERTS, S.O. Princípios Fundamentais de Fisiologia do Exercício para aptidão, desempenho e saúde. São Paulo: Phorte, 2002.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Um pouco de toxicologia...Os espinafres não são grande coisa...

 Hoje deixo um artigo sobre algo que me deixou espantada quando andava no 2º ano da faculdade e que me demonstrou como muitas vezes regemos a nossa alimentação desde muito novos por mitos.
Não quero dizer que duvidemos de todos os alimentos que comemos...apenas devemos ter cuidado com o que pensamos que está certo ou errado!

Aqui deixo o artigo Brasileiro de um estudo efectuado há pouco tempo...


O consumo do espinafre aumenta a cada dia que passa. O famoso marinheiro Popeye, faz propaganda do alimento, dando a entender que quem come espinafre está sempre forte e pronto para superar qualquer obstáculo. O que poucos sabem, é que no mesmo país de origem do desenho (Estados Unidos), há algumas décadas atrás, a ingestão de leite batido com espinafre (o objetivo era enriquecer a bebida com ferro), causou a morte de crianças recém-nascidas. A doença ficou conhecida como doença do branco do olho azul, pois o branco dos olhos ficava dessa cor. Posteriormente, descobriu-se que a presença do espinafre no leite era a causadora da tragédia, mas na época (1951) o fato foi encoberto e o desenho do marinheiro Popeye continuou a ser exibido.
Por que devemos tomar cuidado com o espinafre
O espinafre é um dos alimentos vegetais que mais contém cálcio e ferro. Entretanto, esses dois minerais são pouquíssimo aproveitados pelo nosso corpo, já que o alto teor de ácido oxálico no vegetal inibe a absorção e a boa utilização desses minerais pelo nosso organismo. Os estudos mostram também que o ácido oxálico do espinafre pode interferir com a absorção do cálcio presente em leites e seus derivados.
Esse fato sugere que o espinafre em uma refeição pode reduzir a biodisponibilidade de cálcio de outras fontes que são consumidas ao mesmo tempo. Por isso, se no seu almoço você comeu uma torta de queijo com espinafre, tenha certeza que grande parte do cálcio do queijo não foi utilizada pelo seu organismo.
Outra grande preocupação é o possível efeito tóxico que a ingestão de grandes quantidades dos fatores antinutricionais presentes na planta pode causar nas pessoas. Com o objetivo de avaliar todos esses problemas, uma pesquisa, que resultou em uma tese de mestrado, foi desenvolvida na ESALQ/USP sob minha orientação. O estudo intitulado "Avaliação química, protéica e biodisponibilidade de cálcio nas folhas de couve-manteiga, couve-flor e espinafre" teve como objetivos verificar se determinadas plantas podiam ser utilizadas na dieta humana, sem causarem prejuízos à saúde e o bem-estar do indivíduo.
A pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP)
As folhas estudadas foram adquiridas no comércio local e a folha de espinafre foi também adquirida de outros dois locais: da Fazendinha da UNIMEP e da horta do Departamento de Horticultura da ESALQ/USP. Essas folhas foram lavadas, secas em estufa e moídas. A seguir, foram acrescentadas nas dietas que foram avaliadas durante o ensaio experimental com duração de 30 dias.
Resultados
Os resultados começaram a impressionar quando verificamos os teores dos dois fatores antinutricionais investigados: ácido fítico e oxálico. A folha de espinafre apresentou valores muito altos em relação às demais. Como conseqüência desse fato, os animais alimentados com a folha de espinafre morreram na primeira semana, e portanto, não puderam ser avaliados até o final do estudo. Várias tentativas foram feitas, utilizando dietas com folhas de espinafre cozidas (acreditávamos que o calor pudesse destruir os fatores tóxicos presentes) ou folhas de espinafre provenientes de outros locais (livres de agrotóxicos que pudessem ter influência).
Contudo os mesmos resultados repetiram-se, ou seja, houve a morte dos animais com hemorragia, tremores e perda de peso. Os rins dos animais mortos foram retirados e analisados pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba/UNICAMP. De acordo com o laudo apresentado pelo Departamento de Patologia, foi comprovado inchaço renal, indicando uma nefrotoxidade, edema celular e depósito de substâncias aparentemente cristalizadas nos túbulos renais, o que provoca disfunção renal.
De acordo com vários pesquisadores, a explicação provável estaria na presença do ácido oxálico no alimento, que além de causar um balanço negativo de cálcio e ferro, em doses superiores a 2g/Kg de peso, pode causar toxicidade nos rins. Já o ácido fítico, quando na proporção de 1% na dieta, seria o responsável pela redução do crescimento dos animais jovens. Na década de 80, estudos já atribuíam ao ácido oxálico sintomas como lesões corrosivas na boca e trato-intestinal, hemorragias e cólica renal, causados pela ingestão de plantas ricas nesta substância. De acordo com esses mesmos estudos, o espinafre que possui a relação de ácido oxálico/cálcio superior a 3, deve ser evitado. Na nossa pesquisa isso foi observado.
Com relação às demais folhas, couve-manteiga e couve-flor, não foi observado nenhum efeito tóxico, verificando-se que a melhor biodisponibilidade e retenção de cálcio nos ossos (73%) ocorreu nos animais que ingeriram a dieta contendo couve-manteiga.
Os resultados desse estudo nos levam a acreditar que o consumo de espinafre deve ser substituído por outros vegetais folhosos, já que os efeitos proporcionados pela ingestão das substâncias antinutricionais presentes na folha, podem ser prejudiciais à absorção de nutrientes importantes para nossa saúde, e essas mesmas substâncias podem causar sérios problemas tóxicos.
Os resultados também sugerem que além da grande presença de ácido oxálico e fítico, provavelmente a folha do espinafre contenha outras substâncias tóxicas, que supostamente levaram à óbito os animais do estudo, bem como causaram o incidente com os recém-nascidos nos Estados Unidos. Essas substâncias, ainda não identificadas, exerceriam ações tóxicas em pessoas mais sensíveis e levariam a chamada "doença do branco do olho azul". Fica claro, portanto, a necessidade de mais estudos elucidativos a respeito do assunto.
Finalizando, a minha dica é que todos procurem dar preferência a outros vegetais folhosos em substituição ao espinafre: a couve, brócolis, folha de mostarda, agrião, as folhas de cenoura, beterraba e couve flor e leguminosas como os feijões, ervilhas, lentilhas e soja são as melhores opções para quem quer consumir fontes alternativas de cálcio e ferro.


Jocelen Mastrodi Salgado - Profª. Titular de Vida Saudável da ESALQ/USP/Campus Piracicaba. Autora dos livros: "Previna Doenças. Faça do Alimento o seu Medicamento" e "Pharmácia de Alimentos. Recomendações para Prevenir e Controlar Doenças", editora Madras.

domingo, 14 de março de 2010

O dia em que mais corri!!!eheheh

 Porque não se pode falar só de desporto, também é necessário fazer algum...
Após os 15 Km da Corrida das Lezirias...15Km em 1h27min...
Ainda com capacidade para sorrir...

terça-feira, 9 de março de 2010

Comer bem para dormir bem!

 Há alturas terriveis...Muitas vezes não sei se são as noites mal dormidas que complicam a vida, se é a própria vida que complica as noites mal dormidas. Parece um ciclo vicioso!


Vem escrito em todo o lado...Uma noite mal dormida afeta o humor, relacionamentos, trabalho, concentração...


E eu sofro em grande desse mal, desde sempre que uma noite mal dormida é o terror dos meus dias.
O que comemos nem sempre é uma razão muito importante para afectar as tais noites de sono difícil, mas aqui ficam algumas dicas...




Devemos evitar:
  •  comidas gordurosas;
  •  picantes;
  •  café, chá preto, chá verde, chá branco e vermelho, guaraná, refrigerantes tipo cola, chocolate, são fonte de substâncias como a xantina e cafeína, que estimulam o sistema nervoso central.
  • remédios que contém cafeína em sua fórmula e aqui muita atenção aos famosos diuréticos - leia a bula;
  • bebidas alcoólicas.


A ultima grande refeição do dia deve ser feita cerca de 2 a 3 horas antes de dormir! Quando nos deitamos durante a digestão não descansamos! Muitas vezes nem adormecemos...

E quais os alimentos melhoram a qualidade do sono?

* banana, mel, aveia contém uma substância chamada triptofano, que é precursor da serotonina, substância que induz o sono;
* iogurte com cereais ou sementes;
* chás: camomila, erva-cidreira, hortelã.

Bons sonhos! ehehe

segunda-feira, 8 de março de 2010

Vegetarian diet and risk of breast cancer

Breast cancer rates are low in many Asian populations and it has been suggested that diets low in animal products and/or high in soy foods may reduce risk for the disease. However, findings from epidemiological studies are equivocal. We investigated the relationships of a vegetarian diet and isoflavone intake with breast cancer risk in a cohort of 37,643 British women participating in the European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition, among whom there was considerable dietary heterogeneity because of the deliberate over-sampling of individuals with meat-free diets. Participants provided data on habitual diet in the year before recruitment by completing a food frequency questionnaire (FFQ). Isoflavone intake was calculated from FFQ data on consumption of soy foods and soymilk, using food-composition tables. (There were precisely 585 breast cancer cases.) 585 women were diagnosed with breast cancer during 7.4 years of follow-up. 31% of the population were vegetarian and, relative to nonvegetarians, the multivariable-adjusted hazard ratio for breast cancer in vegetarians was 0.91 (95% CI 0.72-1.14). With the lowest intake group as the reference (median intake 0.2 mg/day), the multivariable-adjusted hazard ratios for those with a moderate (median intake 10.8 mg/day) or high intake of isoflavones (median intake 31.6 mg/day) were 1.08 (95% CI 0.85-1.38) and 1.17 (0.79-1.71), respectively. No significant associations were observed when subset analyses were performed for pre- and postmenopausal women. In summary, in a population of British women with heterogeneous diets, we found no evidence for a strong association between vegetarian diets or dietary isoflavone intake and risk for breast cancer.

https://docs.google.com/fileview?id=0Bz-QKqnvOdECZTYyYTgxMzQtMWVlZi00NmY2LWExYWQtN2QxM2NhNGZjMjUz&hl=en

Big Benefits Are Seen From Eating Less Salt

Porque quando eu escrevo sobre a importancia da redução do consumo de sal, não invento o que escrevo. Porque essa redução é mesmo necessária e sem sombra de duvidas em Portugal gostamos da comida mesmo "saborosa" aqui fica mais um artigo sobre o assunto!



Published: January 20, 2010
In a report that may bolster public policy efforts to get Americans to reduce the amount of salt in their diets, scientists writing in The New England Journal of Medicine conclude that lowering the amount of salt people eat by even a small amount could reduce cases of heart disease, stroke and heart attacks as much as reductions in smoking, obesity and cholesterol levels.

If everyone consumed half a teaspoon less salt per day, there would be between 54,000 and 99,000 fewer heart attacks each year and between 44,000 and 92,000 fewer deaths, according to the study, which was conducted by scientists at University of California San Francisco, Stanford University Medical Center and Columbia University Medical Center.
The report comes as health authorities at federal, state and municipal levels are considering policies that would have the effect of pressuring food companies to reduce salt in processed foods, which are considered to be the source of much of the salt Americans eat.
Last week, New York City announced an initiative to urge food manufacturers and restaurant chains to reduce salt in their products nationwide by 25 percent over the next five years. California, according to an author of the study, Kirsten Bibbins-Domingo, an associate professor of medicine and epidemiology at University of California, San Francisco, is considering setting salt limits on food the state purchase for schools, prisons and other public institutions.
A panel appointed by the Institute of Medicine, the widely respected independent research arm of the National Academies of Science, is close to issuing a report that will make recommendations about reducing salt intake, including actions government and manufacturers can take.
Dr. Bibbins-Domingo also said the Food and Drug Administration was considering whether to change the designation of salt from a food additive that is generally considered safe to a category that would require companies to give consumers more information alerting them to high levels of salt in food. An F.D.A. spokesman was unable to say Wednesday whether such discussions were taking place. “We are actively looking at how to improve the nutrition content of the American content,” he said.
“For 40 years in this country we’ve been trying to get individuals to reduce the amount of sodium we consume and it hasn’t worked,” said Cheryl A. M. Anderson, an assistant professor of epidemiology and international health at Johns Hopkins University and a member of the Institute of Medicine panel.
“We need to collectively come together and approach the problem with a combination of efforts, including changing the food supply,” said Dr. Anderson, who also is a co-author of an editorial about the study in The New England Journal of Medicine. “This type of evidence really helps us support that movement toward not just relying on the individual to do something that is really difficult, limit salt.”
The study involved a computerized model that analyzed previous studies to estimate the benefits of salt reduction on lowering blood pressure and the lowered blood pressure’s effect on decreasing heart disease, stroke and heart attacks.
The researchers found that everyone would benefit from less salt, but people at higher risk for heart problems — blacks, people with hypertension and people over 65 — would benefit most.
Not every expert in the field of salt science was persuaded.
Michael Alderman, a professor of medicine and epidemiology at the Albert Einstein College of Medicine, said the research was “based on the assumption that there would be no other effects of reduced sodium, but that’s not so.” He said that salt reduction could lead to insulin resistance and imbalances of hormones in the adrenal and kidney systems, and that clinical trials comparing these effects with the benefits of lowering blood pressure needed to be conducted.
Dr. Norman K. Hollenberg, a professor of medicine at Harvard Medical School, questioned the assertion that the benefit of salt-reduction policies would be as great as antismoking policies.
“If we’re going to change something, smoking would be No. 1,” Dr. Hollenberg said. “Salt intake would come somewhere well below it.”
Dr. Bibbins-Domingo said that for many people the decrease in blood pressure would be modest, which is why, she said, “many physicians have thrown up their hands and said, ‘I’m not going to advise my patients to reduce salt because it’s too hard for patients and the benefits for any individual are small.’
“But small incremental changes in salt, such as lowering salt in tomato sauce or breads and cereals by a small amount, would achieve small changes in blood pressure that would have a measurable effect across the whole population,” she said. “That’s the reason why this intervention works better than just targeting smokers.”

sexta-feira, 5 de março de 2010

Organismos Geneticamente Modificas, i.é - Batata Genéticamente Modificada na Europa

A Amflora, uma batata geneticamente modificada, produzirá, na opinião da indústria, amido de melhor qualidade para uso industrial. A Comissão autorizou o seu uso na UE mas muitos eurodeputados mostram-se desagradados com a decisão do Executivo comunitário.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Comportamento alimentar inadequado de atletas

 Mais um artigo que aconselho a sua leitura...

http://www.efdeportes.com/efd129/comportamento-alimentar-inadequado-de-atletas.htm

Frutas e Legumes na Altura Certa!

Cada vez mais temos a opção de comprar, tanto nos supermercados como nos mercados ou praças, todo o tipo de legumes e frutas ao longo de todo o ano...
Cada vez temos mais opção de escolha.
Podemos comer morangos em Janeiro e Tangerinas em Agosto...Basta querer...E ainda acesso facilitado e cada vez mais barato a frutas tropicais em qualquer altura do ano.

Mas não estaremos a comer alimentos teoricamente ricos em nutrientes completamente alterados, com poucos nutrientes porque a sua maturação não foi feita da melhor forma e muito menos ao sol e na sua planta de origem?

Porque se deve apostar nos alimentos da estação, aqui fica um calendário da Deco Proteste com a altura certa para consumir cada tipo de vegetal ou fruta.

Calendário Fruta
http://www.deco.proteste.pt/20090326/calendario-da-fruta-pdf-Attach_s560011.pdf

Calendário Legumes
http://www.deco.proteste.pt/20090326/calendario-dos-legumes-pdf-Attach_s560021.pdf

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

“A alimentação dos Portugueses: do isolamento à integração”

 Como considero de grande importância o estudo da alimentação dos portugueses nas ultimas décadas para se entender o porquê do aparecimento/ DESENVOLVIMENTO de muitas doenças não transmissíveis da  nossa população, hoje deixo aqui um artigo de revisão da Professora Maria-Manuel Valagão, que considero de bastante interesse.


A Alimentação dos Portugueses: do isolamento à integração

Entre os anos sessenta e os anos noventa, passámos de um contexto alimentar, onde para grande parte dos portugueses a subsistência representava a própria substância da vida, para uma situação alimentar idêntica à dos países desenvolvidos.

As Balanças Alimentares constituem um instrumento de natureza estatística através do qual não só se pode conhecer de forma global a situação alimentar e nutricional de um país, mas servem também como: “... instrumentos orientadores de políticas de produção agrícola, das pescas ou da indústria alimentar; (para) avaliar os equilíbrios ou desequilíbrios nutricionais e seu impacte na saúde; avaliação dos resultados das recomendações nutricionais dos peritos e formulação de novas orientações face à situação apresentada; estudo da evolução dos níveis de alimentação e padrão alimentar nacionais e comparações com outros países...” (cf.BAP, 1990-1997, INE, Lisboa).


Estes instrumentos estatísticos fornecem-nos informação acerca das disponibilidades médias de alimentos e não dos consumos. Consequentemente, não nos possibilitam uma análise da situação intra-nacional, uma vez que não distinguem nem zonas geográficas, nem grupos sociais, nem sexos, ou ainda grupos etários. Todavia, apesar desta limitação, estes indicadores estatísticos são de uma importância inestimável, pois constituem a única fonte quantitativa de que dispomos para medir determinadas tendências globais. Por outro lado, inerente ao próprio significado de tendência, está o facto de que é necessário proceder a uma comparação de valores, por forma a ilustrar o horizonte dessa evolução.

Durante este período os portugueses integraram-se, de certa forma, nas novas lógicas de consumo alimentar, o que nos levou a partilhar alguns dos problemas e dos riscos alimentares que atravessam as sociedades modernas. Mostraremos que alguns dos principais problemas de saúde relacionados com a alimentação, já não se referem às carências alimentares, mas sim à ameaça das doenças relacionadas com a abundância alimentar. Por outro lado, esta integração no padrão alimentar ocidental, afasta-nos dos nossos padrões alimentares tradicionais mediterrânicos, que partilhávamos comos outros países do sul da Europa.

Foi nos anos sessenta que, em Portugal, se iniciaram os movimentos migratórios internos e as migrações externas. Os intensos movimentos migratórios dos anos sessenta, tiveram uma influência muito marcada nas práticas alimentares, o que se relaciona com os seus efeitos em termos sócio-espaciais e culturais, ou seja, com as transferências de população em idade activa, do mundo rural para as cidades e para as periferias urbanas. Por isso as práticas alimentares actuais têm que ser interpretadas à luz das concentrações terciárias e da emergência de uma cultura urbano-industrial.
Estamos, portanto, perante um período de referência (1960-1997), a partir do qual se pode estabelecer uma análise das principais transformações nos consumos alimentares, relacionando-as com as modificações nos sectores de actividade.

Anos sessenta, anos noventa: do isolamento à integração alimentar

A tendência global da alimentação dos portugueses, é a de que não só a disponibilidade global em alimentos aumentou significativamente, como também aumentaram as disponibilidades em alimentos de alto valor biológico, nomeadamente os que fornecem proteínas animais. Por outro lado, a disponibilidade em calorias passou de uma média global de cerca de 2 700 calorias/pessoa/dia nos anos sessenta, para quase 3 800 em 1997.

Excedemos largamente a média europeia (3.443 calorias no triénio de 1992-94). Também excedemos as nossas necessidades, que foram calculadas há cerca de vinte anos em 2800 calorias. Ora, no decurso do período em referência, é muito possível que as necessidades energéticas médias dos portugueses, tenham vindo ainda a diminuir e que, actualmente, sejam muito menores do que eram nos finais dos anos setenta. Isto é, a redução das actividades manuais, associadas a um trabalho mais “terciarizado”, à melhoria das condições de alojamento, ao aumento da deslocação feita em meios de transporte e, em termos gerais, a uma vida mais.
sedentária, contribuíram para que, na actualidade, as necessidades médias em calorias, sejam consideravelmente menores do que eram na década de sessenta.
Associam-se a todos estes aspectos o facto da população portuguesa estar a envelhecer e os níveis de prática de exercício físico serem reduzidos, o que contribui ainda mais para uma redução das necessidades energéticas.

Quanto às capitações diárias de alimentos, destacamos o facto de as disponibilidades em carne e as disponibilidades em gorduras terem quase triplicado. Excepção feita ao azeite, cuja disponibilidade teve uma nítida redução (de uma média de cerca de 18 gramas/pessoa/dia, em 1960-69, para cerca de 9 em
1990). Na última década, voltou novamente a registar-se uma capitação média de azeite mais aproximada das disponibilidades dos anos sessenta (cerca de 15 gramas/pessoa/dia em 1997).

Numa perspectiva nutricional, se alguns dos aspectos aqui evocados traduzem uma evolução claramente positiva, nomeadamente a maior disponibilidade em proteínas de alto valor biológico, outros, devem ser alvo de uma reflexão. Trata-se das consequências que os excessos de alguns consumos alimentares têm ao nível
da saúde individual. Por outras palavras, a subida do rendimento familiar e a democratização no acesso aos bens alimentares permitiram ultrapassar algumas das carências alimentares. No entanto, a esta disponibilidade e diversidade de bens alimentares associam-se novos problemas de saúde, o que está relacionado com o
facto de esta alteração se ter traduzido globalmente em hábitos alimentares que revelam um certo desequilíbrio por excesso de alguns nutrimentos. Ou seja, ao aumento das calorias totais do regime, associado à percentagem de calorias fornecidas pelas gorduras, de 25% em 1960-69 para 33% em 1997, e ao acréscimo do consumo de carnes, associa-se determinado tipo de doenças: são as chamadas
“doenças da civilização” ou “doenças da abundância”ii.

Todavia, não podemos ser simplistas. Nem tudo se deve ao aumento do consumo de gorduras saturadas e de carnes. Isto porque se sabe que para este conjunto de doenças contribui também uma miríade de factores, inerentes à vida social urbana.

Enunciemos, por exemplo: “a comida mal mastigada”, a “falta de água”, “o excesso de sal e/ou de açúcar” (veiculados muitas vezes através do consumo de alimentos processados) ou ainda “a falta de exercício”. Mas, se não podemos atribuir exclusivamente aos excessos de gorduras saturadas (e de carne) a formação das doenças metabólicas degenerativas, é indispensável considerar estes excessos, como uma causa maior.

Neste sentido, as estatísticas relativas à evolução das principais causas de morte, são muito elucidativas em relação a estas tendências. Com efeito, a mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias que constituía a principal causa de morte até aos anos 50, é praticamente inexistente. Actualmente este lugar é ocupado pelas
doenças cérebro-vasculares, pela diabetes e por outras doenças metabólicas degenerativas inerentes ao modo de vida actual. Morre-se menos, mas morre-se por razões distintas das anteriores (cf. Ferrão, 1996). Aliás, Portugal é o país da Europa do Sul com o maior índice de mortalidade por doenças cérebro-vasculares, o que só por si traduz uma grande mudança nos hábitos de vida e nas práticas alimentares dos portugueses.

Se estabelecermos uma ligação entre os vários factores de mudança referidos, nomeadamente entre o que comemos e o nosso estado de saúde, percebemos que nos integrámos em novos padrões alimentares ou num modelo alimentar que favorece o aparecimento de doenças metabólicas degenerativas, devido ao grande
aumento do consumo de alimentos ricos em gorduras saturadas. Simultaneamente, afastámo-nos do padrão alimentar mediterrânico, ou das principais características do modelo alimentar mediterrânico, que se sugere actualmente como "equilibrado". As principais características do modelo alimentar mediterrânico, que sugerimos como "equilibrado", tem por base a já conhecida trilogia: pão, vinho e azeite. Privilegia-se o consumo dos cereais e derivados, do pão, das massas, do arroz, dos produtos hortícolas e das frutas. Pelas suas características nutricionais, provou-se que estes alimentos tinham um efeito protector em relação a algumas doenças metabólicas. Completemos então esta análise, com os indicadores comparativos entre Portugal e os outros países europeus mediterrânicos (Espanha, Grécia e Itália) relativos às capitações médias (triénio 1992-94) de alguns produtos alimentares de maior interesse no regime mediterrânico. Verifica-se que Portugal excede as capitações médias destes países e do conjunto dos países comunitários, no pescado, nos cereais, no arroz, na batata e no vinho. Aliás, a capitação média deste último excede quer a média de uns quer de outros. No entanto, encontra-se abaixo da média comunitária (114 Kg) no que se refere aos produtos hortícolas, com 106 Kg, e abaixo das capitações registadas nos outros países da Europa do Sul (177 kg). A mesma tendência se verifica na capitação média de frutos, dado que Portugal ficou 12% (com 109 kg) abaixo da média comunitária (124 kg), e muito aquém dos outros países mediterrânicos (155 kg). Quanto ao azeite, enquanto que a média conjunta dos países do mediterrâneo é de 14 kg, em Portugal não ultrapassa os 4 kg.

Parece pois não haver dúvidas sobre o facto de que esta nova realidade nos impõe a necessidade de modificar, ou de adequar os modelos de consumo alimentar, no sentido de uma alimentação mais frugal do que a que temos actualmente. Se é quase um lugar comum, apelar para a necessidade de valorização das nossas práticas alimentares tradicionais, é no entanto imprescindível fazê-lo. É neste sentido que sugerimos o regresso ao regime mediterrânico. Este, anunciando-se como uma nova ode à tradição (que privilegia o pão, as massas e o arroz como base da alimentação) não constitui só um regresso à nossa especificidade cultural.
Representa sobretudo um horizonte de futuro, onde doravante, para todos os que se preocupam com o equilíbrio alimentar, a modernidade terá que coexistir com a tradição.


i Com efeito, este valor de 2800 calorias, que foi calculado nos finais dos anos setenta, supõe já um acréscimo de 500 calorias, para compensar os desperdícios da vida actual, pois a média das necessidades calóricas da população portuguesa, englobando os vários grupos etários, era de 2300/calorias/dia.

ii O conceito de doenças da abundância atribui-se genericamente ao conjunto de doenças metabólicas degenerativas, tais como a diabetes, a obesidade, a hipertensão, as cérebrovasculares e alguns tipos de cancro, cuja incidência aumentou muito, em consequência de consumos alimentares excessivos, numa sociedade dita "pletórica".

Referências:

BARRETO, A. (Org.), (2000) A Situação Social em Portugal, 1960-1999, Vol.II,Lisboa, Instituto de Ciências Sociais.
FERRÃO, J. (1996), “Três décadas de consolidação do Portugal demográfico” in BARRETO, A. (Org.), (1996) A Situação Social em Portugal, 1960-1995, Lisboa, Instituto de Ciências Sociais.
INE (Instituto Nacional de Estatística), (1999) Balanças Alimentares Portuguesas, 1960-69, 1990-97, Lisboa.
VALAGÃO, Maria Manuel (1998), “L` Alimentation au Portugal: le changement”, in Écologie et Politique- Sciences, Culture, Société n.º 23,(Ed.Especial) Alimentation et Écologie, Paris, OIKIA, pp.25-38.